quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Tudo tem um propósito, confie e verá.

Texto: Salmo 139:16

Título: Tudo tem um propósito, confie e verá.

Introdução: Quando falo que tudo que ocorre conosco tem um propósito, falo uma verdade a qual creio. Davi tinha essa consciência ao dizer: “[...] no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (v.16). Para Davi a vida é como um livro onde está escrito tudo sobre nós. Hoje se discute as tais biografias não autorizadas, não é verdade? Pois é, para o Senhor não haverá biografia não autorizada, porque toda nossa biografia já está nas mãos Dele, conforme João diz em Apocalipse e Daniel em sua visão: “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. [...] E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.” (Ap 20:12), “Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros..” (Dn 7: 10).
            Irmão, neste momento o livro da sua vida está sendo escrito, até aqui em suas páginas estão suas as obras, suas experiências, tanto as amargas como as doces. Daqui para frente ainda há o que ser escrito e, enquanto estas páginas são preenchidas surgem nossas expectativas, esperanças e medos. O que tenho a dizer aos irmãos nesta noite é o seguinte: Tudo em nossa vida tem um propósito! Então, o que nos cabe é confiar naquele que nos ama, que cuida e que está ao nosso lado sempre, o Pai Eterno, Ele está ao nosso lado em cada momento da nossa vida. O salmista Davi assim cria e disse: “Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl 37: 3-5).
            Irmãos e irmãs, poderia parar por aqui, a palavra está entregue, contudo, gostaria de me estender um pouco mais para contar uma história que possa vir a ser ilustrativa para o que falei. É um pouco da história de vida de uma pessoa que foi muito conhecida, principalmente para o mundo digital de hoje. Seu nome é Steve Jobs.
            Em 12 de junho de 2005, Steve Jobs, então presidente-executivo da Apple Computer e da Pixar Animation Studios, fez um discurso aos formandos da Universidade de Stanford (USA). Neste discurso ele conta a história de sua vida em 3 partes: a primeira é sobre ligar os pontos; a segunda é sobre amor e perda; a terceira é sobre morte. Discurso famoso que repercute até hoje. Tentarei repassa-lo resumidamente.
Ele começa assim: "Estou honrado por estar aqui com vocês em sua formatura por uma das melhores universidades do mundo. Eu mesmo não concluí a faculdade. Para ser franco, jamais havia estado tão perto de uma formatura, até hoje. Pretendo lhes contar três histórias sobre a minha vida. [...] Só isso. Nada demais.”. Então dá início, conforme reprodução abaixo:

A primeira é sobre ligar os pontos:Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção. Ela estava determinada a encontrar pais adotivos que tivessem educação superior, e por isso, quando nasci, as coisas estavam armadas de forma a que eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Mas eles terminaram por decidir que preferiam uma menina. Assim, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam um telefonema em plena madrugada ‘temos um menino inesperado aqui; vocês o querem?’ Os dois responderam ‘claro que sim’. Minha mãe biológica descobriu [...] que minha mãe adotiva não tinha diploma universitário e que meu pai nem mesmo tinha diploma de segundo grau. Por isso, se recusou a assinar o documento final de adoção durante alguns meses, e só mudou de ideia quando eles prometeram que eu faria um curso superior. Assim, 17 anos mais tarde [...] escolhi uma faculdade quase tão cara quanto Stanford, e por isso todas as economias dos meus pais, que não eram ricos, foram gastas para pagar meus estudos. Passados seis meses, eu não via valor em nada do que aprendia. Não sabia o que queria fazer da minha vida e não entendia como uma faculdade poderia me ajudar quanto a isso. E lá estava eu, gastando as economias de uma vida inteira. Por isso decidi desistir, confiando em que as coisas se ajeitariam. Admito que fiquei assustado, mas em retrospecto foi uma de minhas melhores decisões. Bastou largar o curso para que eu parasse de assistir às aulas chatas e só assistisse às que me interessavam. [...] E boa parte daquilo em que tropecei seguindo minha curiosidade e intuição se provou valioso mais tarde. Vou oferecer um exemplo: Na época, o Reed College talvez tivesse o melhor curso de caligrafia do país. Todos os cartazes e etiquetas do campus eram escritos em letra belíssima. [...] decidi aprender caligrafia. Aprendi sobre tipos com e sem serifa, sobre as variações no espaço entre diferentes combinação de letras, sobre as características que definem a qualidade de uma tipografia. [...] Fiquei fascinado. Mas não havia nem esperança de aplicar aquilo em minha vida. No entanto, 10 anos mais tarde, quando estávamos projetando o primeiro Macintosh, me lembrei de tudo aquilo. E o projeto do Mac incluía esse aprendizado. Foi o primeiro computador com uma bela tipografia. Sem aquele curso, o Mac não teria múltiplas fontes. E, porque o Windows era só uma cópia do Mac, talvez nenhum computador viesse a oferecê-las, sem aquele curso. É claro que conectar os pontos era impossível, na minha era de faculdade. Mas em retrospecto, dez anos mais tarde, tudo ficava bem claro. Repito: os pontos só se conectam em retrospecto. Por isso, é preciso confiar em que estarão conectados, no futuro. É preciso confiar em algo [...] Essa abordagem jamais me decepcionou, e mudou minha vida.”

Provérbios 3:5 diz: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”

A segunda história é sobre amor e perda: “Descobri o que amava bem cedo na vida. Wozniak e eu criamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhávamos muito, e em 10 anos a empresa tinha crescido de duas pessoas e uma garagem a quatro mil pessoas e US$ 2 bilhões. Havíamos lançado nossa melhor criação - o Macintosh - um ano antes, e eu mal completara 30 anos. Foi então que terminei despedido. Como alguém pode ser despedido da empresa que criou? Bem, à medida que a empresa crescia contratamos alguém supostamente muito talentoso para dirigir a Apple comigo, e por um ano as coisas foram bem. Mas nossas visões sobre o futuro começaram a divergir, e terminamos rompendo - mas o conselho ficou com ele. Por isso, aos 30 anos, eu estava desempregado. E de modo muito público. O foco de minha vida adulta havia desaparecido, e a dor foi devastadora. Por alguns meses, eu não sabia o que fazer. [...] pensei em sair do Vale do Silício. Mas logo percebi que eu amava o que fazia. O que acontecera na Apple não mudou esse amor. Apesar da rejeição, o amor permanecia, e por isso decidi recomeçar. Não percebi, na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. O peso do sucesso foi substituído pela leveza do recomeço. Isso me libertou para um dos mais criativos períodos de minha vida. Nos cinco anos seguintes, criei duas empresas, a NeXT e a Pixar, e me apaixonei por uma pessoa maravilhosa, que veio a ser minha mulher. A Pixar criou o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é hoje o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. E, estranhamente, a Apple comprou a NeXT, eu voltei à empresa e a tecnologia desenvolvida na NeXT é o cerne do [...] renascimento da Apple. E eu e Laurene temos uma família maravilhosa. Estou certo de que nada disso teria acontecido sem a demissão. O sabor do remédio era amargo, mas creio que o paciente precisava dele. [...] Estou certo de que meu amor pelo que fazia é que me manteve ativo. É preciso encontrar aquilo que vocês amam [...] Caso ainda não tenham encontrado, continuem procurando. Não se acomodem. Como é comum nos assuntos do coração, quando encontrarem, vocês saberão. Tudo vai melhorar, com o tempo.”

Eclesiastes 3:1 diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:

A terceira história é sobre morte: “Quando eu tinha 17 anos, li uma citação que dizia: ‘se você viver cada dia como se fosse o último, um dia terá razão’. Isso me impressionou, e nos 33 anos transcorridos sempre me olho no espelho pela manhã e pergunto, se hoje fosse o último dia de minha vida, eu desejaria mesmo estar fazendo o que faço? E se a resposta for ‘não’ por muitos dias consecutivos, é preciso mudar alguma coisa. Lembrar de que em breve estarei morto é a melhor ferramenta que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo do fracasso - desaparece diante da morte, que só deixa aquilo que é importante. Lembrar de que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar armadilha de temer por aquilo que temos a perder. [...] Cerca de 1 ano atrás, um exame revelou que eu tinha câncer. Uma ressonância às 7h30 mostrou claramente um tumor no meu pâncreas [...] Os médicos me disseram que era uma forma de câncer quase certamente incurável, e que minha expectativa de vida era de 3 a 6 meses. O médico me aconselhou a ir para casa e organizar meus negócios, o que é jargão médico para ‘prepare-se, você vai morrer’. [...] Significa garantir que tudo esteja organizado para que sua família sofra o mínimo possível. Significa se despedir. Eu passei o dia todo vivendo com aquele diagnóstico. Na mesma noite, uma biópsia permitiu a retirada de algumas células do tumor. Eu estava anestesiado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células ao microscópio começaram a chorar, porque se tratava de uma forma muito rara de câncer pancreático, tratável por cirurgia. Fiz a cirurgia, e agora estou bem. [...]”

Salmo 112: 1 e 7 diz: “Bem aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos seus mandamentos.”; “Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no Senhor.”

Ele ainda diz: “[...] Nunca havia chegado tão perto da morte, e espero que mais algumas décadas passem sem que a situação se repita. Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que desejam ir para o céu prefeririam não morrer para fazê-lo. Mas a morte é o destino comum a todos. Ninguém conseguiu escapar a ela. E é certo que seja assim, porque a morte talvez seja a maior invenção da vida. É o agente de mudanças da vida. [...].”

1 Coríntios 15: 54 diz: “E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.”

Conclusão: O câncer com o qual Steve Jobs lutava desde 2004 finalmente o levou a morte. Ele morreu em 5 do outubro de 2011, aos 56 anos de idade, como muitos acompanharam na mídia na ocasião. Nada na vida dele foi por um acaso, tudo tinha um propósito.
            Semelhantemente, é assim que eu vejo na vida de cada pessoa, tudo que ocorre tem um propósito, por isso, faço as palavras do rei Davi também as minhas: “[...] no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (v.16). Faço também da minha vida um projeto de confiança, de acordo com Provérbios 16: 9: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.”.

            Vejam meus queridos, por meio do Salmo 37: 3-5 (versão: BKJ), como o Senhor quer que você escreva o livro da sua vida. São 4 pontos a se observar:
v  Confia no Senhor e pratica o bem;
v  Assim habitará em paz na terra e te nutrirás com a fé[1].
v  Deleita-te no Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração.
v  Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará.

             Tudo tem um propósito, confie e verá.



[1] Edição Revista e Corrigida: “[...] habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado.”

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